sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O Mundo Verde
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Sem Figura de linguagem?
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E se disserem o contrário, não creiam!
domingo, 1 de agosto de 2010
A Cidade dos Sonhos Errados
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A Última Aleivosia
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Missão Cumprida
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.
A ingaia ciência - Carlos Drummond de Andrade
sábado, 26 de junho de 2010
Bonnie e Clyde
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Relatório de Ausência Artística
domingo, 21 de fevereiro de 2010
A Transvalorização
não abras.
Pode ser que encontres
o que não buscavas
nem esperavas.(...) Descuidosa, a porta
apenas cerrada
pode te contar
conto que não queres
saber.
Cuidado - Carlos Drummond
Sangue e navalha jogada ao chão: pedaços da cruz, ferramentas do ocaso.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
A lógica dos Ponteiros
Uma nuvem pairou dentro da cabeça do menino.
Criou-se um dilúvio e levou-lhe bons momentos:
(Revolução, utopia e Rock and Roll)
( Poesia, Platonismo e Marilyn Monroe)
Trinta anos, despedidas – um cachorro vai e volta.
E no quarto a cabeça semi nua e meio morta.
Qual a chuva destes tempos poderia despertá-lo?
Não há volta – tempestades se aproximam e vão roubá-lo.
(Saúde, tolerância e a bíblia na gaveta)
( Dinheiro, a família e nem ficou a escopeta)
Na cabeça sem escolha só o “diabo” atormenta.
Sem a casa e sem os filhos o mundo é a sentença.
Sair pelos becos à procura do ladrão.
A nuvem é esperta e sempre está na contra mão.
( Sem roupas, sem sapatos e sem documentos)
( Sem nome, sem templo e sem fundamentos)
Já velho, sozinho e sem esperança.
Encontrou seu inimigo e foi embora a vingança.
A nuvem era o óbvio – regras inconscientes.
Com a descoberta vieram os presentes:
Revolução, utopia e Rock and Roll
Poesia, Platonismo e Marilyn Monroe
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Herança Sapiens
Ter nascido me estragou a saúde
Não posso absover as dores de um mundo masoquista. Busco a paz, mas a moda assassinou a mulher que não quis entregar-se as ferramentas cirurgicas. Toda quinta-feira analiso o lixo da vizinhança: 80% alimento. Não sou ecologicamente correta, não sou biologicamente correta e nem logicamente correta. Não tenho cor, não tenho raça, meus braços são tortos, minha pele foi transformada em pergaminhos de propaganda. Abandonei bandeiras, silenciei meus votos, fechei as portas, dei descarga na minha ingenuidade. Cadê os deuses? Alguém de fato foi heroí? Existiu um Messias? Onde está sua casa? Você é saudável? Por quantas horas vendemos nossa força de trabalho? E depois? E agora? E antes? O que seus filhos herdarão? Senzalas?quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Terra de Ninguém
Enquanto as ruas são partidas ao meio pela fúria da natureza
Caminho pelas calçadas com o receio de ser dividida
O comércio está fechado, os hospitais lotados e as casas destruídas.
Vejo homens lamentado suas perdas, mulheres desesperadas e as crianças inventam brincadeiras diante aquele caos.
Não há o que ser feito – nenhuma rosa nascerá dentro de uma cratera.
Não há para onde fugir – todas as fronteiras tornaram-se abismos.
Só o sol permanece o mesmo.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Amnésia
Convocaram-me para uma missão especial, teria que registrar nessa máquina tudo o que fosse relacionado à guerra. A principio fiquei temeroso, afinal ficar no meio do tiroteio é como brincar de roleta russa, um dia você saí convicto que não está mais na mira de ninguém e uma bala brincando no ar aloja-se no seu corpo. Foi assim que ganhei essa grande cicatriz no ombro. È difícil falar sobre as imagens na foto, naqueles dias tentei sair de mim mesmo, esquecer quem eu era, meus ideais, meus sentimentos. Mas agora é difícil olhá-las com os mesmos olhos daqueles dias. Tenho pesadelos, vivo a base de antidepressivos é como se algo aqui dentro cobrasse uma atitude mais humana: atitude que não tive ali. Essa criança aqui foi baleada a poucos centímetros de mim, não pude fazer nada além de fotografar a cena. Era assim que conseguia manter minha cabeça equilibrada, imaginava que tudo fosse um cenário preparado para apenas virar imagens. Numa conversa com um soldado ele me falou que na guerra só sobrevive quem mantém a cabeça fria e que ele muitas vezes imaginava a batalha como um daqueles jogos de vídeo game que fizeram parte de sua infância. Creio que todos ali fugiam do que realmente acontecia e tudo tornava-se mais fácil. Esse soldado chorando foi responsável pela morte de uma vila inteira, ele não só metralhou os moradores de lá como violentou sexualmente todas as mulheres e crianças. A sensibilidade que a imagem passa diz muito sobre humanos que negam a si mesmos e tornam-se capazes de fazer monstruosidades. Quando voltei para casa uma guerra pior aconteceu aqui dentro: tive que me vencer. Até hoje não acredito que fotografei isso.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Presente de Natal ou o Nascimento da Tragédia
Pesaram o símbolo em uma balança arcaica, anotaram e embalaram o objeto.
No outro dia todos os cidadãos receberam um presente em suas portas:
uma pequena ave de rapina feita de aço, asas abertas e olhos inquisidores.
A nação ganhara um símbolo, um ideal a se seguir: “O céu agora é nosso, todos os demais pássaros serão considerados alimento.”.
sábado, 12 de dezembro de 2009
O Avião Fantasma
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Antiquário dos Ingratos
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. - Carlos Drummond de Andrade
Fizeram-te uma criança nessa altura dos anos.
Jogaram-te para a adoção de velhas quinquilharias.
Agora o que leva nessa bagagem antiga e cheia de traças? – o reconhecimento por ter sido tão passiva?
Teus filhos quebraram os pratos, maldisseram tua comida – trocaram-lhe por fast-foods e sucos gaseificados.
Teu marido sumido compartilha a velhice com qualquer uma que tenha menos linhas na face.
Lembra de quando batias no peito orgulhosa da postura dedicada? – mal sabia do buraco que um dia a jogariam.
Dona Neuza (a solteira), mal falada na vila, hoje canta pelo mundo e coleciona fotografias.
E a senhora onde andava, além das fronteiras da cozinha?
Mas agora é tarde e o caminho limitado. Ao redor somente muros e o rancor da ingratidão.
Nunca foste Pagu e nem Maria Bonita, então faça desde ódio somente uma lição: não existe liberdade encontrada
Desculpe-me pela realidade eu também senti a dor: fui largada pelos filhos e não tenho um vintém.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A Nado
Para o solo não tenho mais pés de andarilho, apenas recordações.
Não há lua que eu não conheça e nem estrela chamada “aquela”.
Fui o mais fervoroso crente no amor: casei doze vezes.
Feio no nascimento e bem arranjado na juventude, agora sou apenas “Seu Tião”.
Escrevi muitos versos, nenhuma página publicada,
mas nas gavetas de minhas senhoras habitavam epopéias.
Lacei Maria no canto, Rosa ganhei na prosa e com Juliana foi amor.
Não fui dono daquela fábrica e nem da fazenda de gado, mas fui autor do meu caminho.
Cada traço do mundo, cada rabisco do infinito, um dia explorei.
Não me pergunte sobre a economia mundial,
pois a única bolsa de valores que conheci foi essa mala carregada de lembranças.
(o vestido de Janaina, o boné de Pedrinho e a pedra.)
Essa pulseira azul foi a condição de volta que Anna me deu.
Mas Tião não volta, Tião sempre segue para uma vida nova.
Até mesmo aqui, no lar dos que não podem caminhar
exploro cada ruga dos meus novos companheiros. ( Não há um mapa repetido )
E a geografia do mundo caí por terra quando descobrimos que cada pessoa é um novo lugar:
um velho carrega um mundo, uma mulher esconde sua realidade e o poeta reinventa o céu.
Por isso Tião nunca volta, o tempo não permite retornos.
Para quê ler o mesmo livro se o mundo é uma grande biblioteca?
Caminhei com as estações e quando minhas pernas falharam continuei o caminho a nado.
Sempre há uma forma de continuar...
Um coração que bateu doze vezes ainda pode desbravar o mar.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Os Cegos do Castelo
Havia um deserto lá dentro.
Dentro de onde?
Dentro dos olhos dela.
Nossa, que surreal!
Dizia que via pessoas saindo do solo.
Isso é espirituoso.
Não, era real! Ela estava na guerra.
O que ela fazia lá?
Era da cruz vermelha.
Também conheci pessoas que lutaram.
Ela ficava sentada olhando para a parede. Eu era muito menino, pensava que ela havia enlouquecido com a idade.
E você, iria para a guerra?
Não, jamais!
O que ela contava?
Ela narrava às imagens: desenhos vermelhos no chão, gritos silenciados e corpos rastejantes. Também havia um dragão de ferro que cospia fogo.
Interessante.
Eu sentia medo, parecia que a qualquer instante seus olhos projetariam todo aquele cenário para o meu tempo. Tentava evitá-la, mas a porta estava trancada.
Porque não gritava seus pais?
Eu não lembrava que os tinha.
Alguém de sua família já esteve na guerra?
Não sei, nunca tive interesse sobre o passado familiar.
Tem assistido filmes sobre o tema?
Também não.
É, meu amigo, deve ser algo espiritual. Algum sinal de tempos ruins.
Vou esquecer, foi só um pesadelo. Afinal, estamos em tempos de paz.
E lá fora o perfume da pólvora é exalado nas favelas do Rio de Janeiro.
Imagem e texto: Lisa Alves






