quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Extrato



Ando meio acabada – meio sol de tarde, meio copo de café, meio viva
Carrego meio fardo – pedaços de cruz e espalho meios sorrisos

Ando meio louca – meio Pinel, meio surtada
Carrego estrelas nas costas – 1/2 de decadências e palavras rápidas

Ando meio torta – meio torcida, meio desfigurada
Carrego meio de mim – 1/3 de orações e o resto são ciências

Ando meio espinho – meio na defensiva, meio porta fechada
Carrego meios mistérios – 1/4 de espíritos e rezas inventadas

Ando meio lisa – meio escorregadia, meio fugitiva
Carrego meios ilícitos –1/5 de pó e o resto são miniervas

Ando meio assim de lado – meio tombada, meio Torre de Pisa
Carrego sementes nos bolsos - 1/6 de crisântemos e essências da morte


Ando sem norte, cortando pedras drummondianas, lançando metáforas para o túmulo até 1/7 de palmos horizontais.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cantiga de Ninar os Mortos

Um poema feito para os que aqui estão sem estar
e para as sanguessugas do Estado







CANTIGA DE NINAR OS MORTOS 


 Dorme pequena alma entre os ectoplasmas.

 Teu corpo foi devorado pelos vermes do acaso. 

Procure amanhã pelos becos estragados

 um pobre derrotado para se encostar. 

Talvez consiga se alimentar dos vícios do coitado. 



 Poema/ Edição/Criação/Voz: Lisa Alves

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Performance







Jogou-se ao chão,

lambeu as feridas,

mastigou os ossos,

esfregou a cabeça no asfalto quente

e depois recitou Leminski
                                
                           (aquele cachorro louco).











quarta-feira, 18 de setembro de 2013

COMA










hoje eu acordei bem tarde,
deveria ter despertado há cinco anos,
quando eu olhei no espelho
um ser enrugado e sonolento apareceu,

                             
                                [quando olhei no espelho:
"Deveria ter despertado há cinco anos "
Hoje eu acordei bem tarde,
apareceu sonolento um ser enrugado.


Deveria ter despertado...
Bem tarde eu acordei no espelho, 
quando enrugado há cinco anos olhei: eu, hoje.
Sonolento um ser apareceu no espelho,


acordei, quando olhei 
eu deveria ter cinco anos – "Bem tarde!"
um ser-eu hoje apareceu:
sonolento, enrugado e despertado.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

27ª Edição da Revista Ellenismos

Está no ar a 27ª edição da Revista Ellenismos! Assistam a vinheta:






Colaboro com a Revista desde a 23 edição e nesta cuja temática é Des-construindo o Gênero apresento "Cartas ao Mundo" e "Metamorphosis' além de algumas colagens e desenhos.

Além disso, há traduções de Nina Rizzi, poemas de Katyuscia Carvalho, Lara Amaral, Eduardo Quive, intervenção urbana de Jota Mombaça e mais um monte de artista independente escrevendo para o coletivo de forma livre e sem "cobrar impostos para a Rainha".



Você pode baixar em pdf: Revista Ellenimos
Ler online: Revista Ellenismos

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Saiu na Folha

   e nunca mais esqueceremos:
daquele dia, daquela árvore
 e daquela folha mutante...

Quão uma fenda sem luz absorvo épocas e todos os artigos históricos. Nada me sustém, a não ser a composição tarja preta ou aquele som produzido em softwares. Depressão, Solitude – haja prosperidade nas drogarias para comprarmos aos montes ou antes que nos inibam de senti-la. Desse jeito! Assim: sem aroma e apenas com um plug! Lembra dos Beatniks? Os cientistas afirmam que no futuro dialogaremos com os dedos, já sinto o primeiro dente nascer no polegar. Sem vaginas, sem pênis e nossas bundas criarão pés para que o tamborete seja impecável e completamente natural. Já ouvimos isso antes, bem antes de produzirem água em pó e daquele imbecil do psiquiatra pedir que eu expandisse minha cachola com os controladores de humor. E agora querem saber o que me leva a gargalhar em velórios e dias frios. 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Além de 220 volts





O grande pátio onde de manhã tomamos sol nem sempre tem sol, o que demonstra a incúria do governo e a irresponsabilidade daqueles a quem pagamos para que nos dêem sol, já que não nos podem dar a liberdade.

Campos de Carvalho - A Lua vem da Àsia




Chovem pétalas sobre a face do morto, a natureza denuncia seus desígnios – reveste os restos, acaçapa as sobras. Do céu nenhum anjo, mas o abutre faz festejo e conduz a prole para o desjejum. Miro as nuvens, penetro a terra com as unhas em sangue e nada favorece a minha ressurreição. Eu sou? Eu estou? Desconhecia esse tipo de morte, nenhuma obra articulou a miscelânea secreta dos reinos, nem esse arquitetar hibrido, tão pouco a fusão – é como recuar ao ovo sem ser germe, é como ser milenar no jardim de infância. Eu existo em tudo e no nível anterior eu era um organismo preso por sistemas – intuo as línguas do mundo e sorvo as raízes da maior árvore do universo, cruzo fendas atemporais e revejo meus antepassados: banhas em mares. Agora sou o algoz de minha carne – aquele que se engole, o antropofágico, o escorpião circulado por chamas, o kamikase. Confesso: eu trazia um sabor de medo, carregava petiscos de trauma no estômago, eu era indigesto. Meus pés possuíam odor de preguiça e meus miolos ansiavam serem beijados assim como um clitóris em plena excitação. Eu era fácil, um alvo fácil para a domesticação. Mas esse-agora-existir não acata paredes, não teme os arames farpados, não se rende aos muros partidários e nem as economics fronteiras. Esse existir transporta mais do que 220 volts para o ninho e só mata o que alimenta. Confiem, só as gralhas são bem-aventuradas!


publicado recentemente na Revista Mallamargens 


sábado, 2 de março de 2013

Omnes Aequales

zombiemojo


Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém é igual ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira.
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

Ninguém = Ninguém - Engenheiros do Hawaii








De todas as dores que levo

nenhuma é tão sólida quanto o pranto dessas mulheres.



(Sangue, matadouro e 30 chibatadas. )



Nosso brado é um capricho de criança mimada – batalhamos pelo direito de consumir em manada.



(arrancam os rins e vendem o coração – conexão França e Afeganistão)



A lágrima foi paralisada em olhos invadidos

A face retalhada pela mão do “amigo”.

Um Deus que não diz nada – mas governa meio mundo.



(Tio Sam, Primo Allāh, Avô Jeová, expediremos mais armas para o Hezbollah!)



Não há reparação, não há arrependimento.

Quem julga tem culpa

e quem culpa faz silêncio.



A mão apaziguadora também revende a pólvora.


(Regalia, preferência, primeiros da fila – Façam seus pedidos, fregueses queridos!)



Os Senhores da Guerra possuem mil matizes:

não existe partido, não existe presidente

que se salve do dolo, que se conte inocente.



(Até mesmo aqui, nessa “paz” tão bélica lançamos as armas que massacram a Argélia.)



Fim da canção

“Qual é a música?”

A TV me contou que somos iguais aos USA.





quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Soul Eco


"Eles dizem que sou demasiado para a esquerda

Pelo menos se eu não for alguém

Porque eu não posso mudar isso

E não é estranho se eu estou apenas sendo eu mesmo

Eles dizem que eu estou longe demais

Bem, eu digo que eles estão errados

Porque quem são eles para dizer quem eu deveria ser

E para onde estou indo "

Help Me - Macy Gray



"O inferno nem é tão longe
Bem depois de onde nada se esconde"

Inferno- Nação Zumbi




I

 












terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cumplicidade das Letras



Caros amigos, recebi nessa manhã a coletânea Cumplicidade das Letras a qual participei em homenagem ao poeta Affonso Romano de Sant'Anna com o poema  Quadro de Avisos (já publicado aqui no blog).

A coletânea conta com mais de cem poetas, dentre eles:  Rubens Jardim, Eduardo Tornaghi, Nydia Bonetti, Valdeck Almeida de Jesus e tantos outros que ainda não deu tempo para conferir e comentar. 

Fiquei encantada com a poesia "Um "b" balbúcio ao quotidiano de Maputo" de Dinis Mubai, poeta de Moçambique.

A coletânea foi organizada pelo escritor mineiro Bruno Resende Ramos e está a venda no site da Perse.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Legião








Soprou o tempo


na máscara imatura.


E os mapas da eternidade,


    como em um roce de magia,


vorazmente se mostraram.