segunda-feira, 15 de agosto de 2016

2 poemas na Revista Tlön





Chegou aqui na Terra Brasilis a Revista Portuguesa Tlön - primeiro número de um sonho arquitetado pela Luiza Nilo Nunes.

O planeta Tlön (de Borges) é o universo da linguagem, da cultura da abstração e da “realidade fictícia”. “Sonhar” dentro das ficções é fazer algo acontecer no mundo. Muito feliz de fazer parte deste sonho. Foram publicados dois poemas do meu livro "Arame Farpado" neste primeiro número (um sonho dentro de outro sonho).





E tem poemas e fotografias de uns sonhadores que admiro muito.




A Tlön tem o custo de 5 € e pode ser adquirida através do email: tlon.revistaliteraria@outlook.pt ou da página: https://www.facebook.com/revistaliterariatlon/…

Encontra-se também disponível nos seguintes espaços:

Livraria Poetria
https://www.facebook.com/LivrariaPOETRIA/?fref=ts

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O Dono do Amanhã

Arthur Tress







as paredes racham

meninos brincam com césio 137

nos quintais a última marca de existência é um campo de penas

e o escultor tenta reproduzir a delicadeza das fêmeas com arames farpados,




é tudo simulação


uma privada exposta em mais um museu

o homem que não sabe cantar mugi

mugiremos até o próximo matadouro

morreremos sem injeção letal e ao som do tic-tac,


é tudo performance


uma legião caminha às cinco da manhã

pelo pão de cada dia vendei-nos hoje e

se tivermos sorte amanhã (e depois), pois

o padeiro não perdoa ninguém e ninguém

perdoará o padeiro pelo trigo transgênico,


é tudo demarcação



células, anticorpos, DNAs,

estômago, refluxo, aparelho digestivo,

fetos e flores de cianureto

levam a assinatura de um único amo:

o dono do amanhã.






poema originalmente publicado na Revista Incomunidade (Portugal)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Idomeni





Dentro de teus olhos 
assisti a criatura 
transportando dois
meninos nos ombros.
Você pediu para eu me virasse
e eu neguei três vezes.

Justifico-me agora:

eu também
testemunhei
a passagem da
mãe e suas crias mortas:

segui cada rastro de sangue
e me juntei a ela
e uivamos feito duas lobas raivosas
e passamos sangue pelos viadutos
e perfuramos as tetas
e arrancamos o útero
e depois dormimos uma por cima da outra
ao som de uma cantiga estrangeira.


A canção era um lamento de gerações espontâneas:
mal nasciam e deitavam em um leito de terra,
mal cresciam e já se oxidavam.

A canção era preenchida de barreiras, fronteiras e arames farpados.

Sim – dentro de teus olhos! 
E você sobreviveu.






Lisa Alves | 2016
Poema originalmente publicado na Revista Portuguesa Incomunidade \ Edição 44.
http://www.incomunidade.com/v44/

*Idomeni: campo de acolhimento dos refugiados em território Grego.




"Minha Mãe Costurava para Travestis" no Estadão






Dia 15 de Junho o Arnaldo Afonso publicou uma matéria no Estadão sobre o massacre que aconteceu na boate GLS em Orlando, massacre que ceifou mais de cinquenta vidas e feriu centenas. Na matéria ele cita "Minha Mãe Costurava para Travestis" um videopoema que desde 2014 tem tido uma ótima recepção no meio literário e dentro da comunidade LGBTTT. Ano passado ficou entre os dez videopoemas selecionados para o Festival Londrix na Feira Literária de Londrina (pág 25).


Segue o link da matéria: aqui





segunda-feira, 21 de março de 2016

Resenha crítica de "Arame Farpado" na Revista Mallarmargens

 Publicar um livro não é fácil, ser lido então é um verdadeiro milagre. E qual é a missão da crítica? Segundo Antônio Lobo Antunes é " ajudar a ler". Autor do livro Elevador (Patuá, 2014), Gabriel Resende Santos escreveu uma resenha crítica sobre o meu livro de poemas "Arame Farpado".





(...) Da Dominação acirra as tendências benjaminianas de sua poética, focando nos colonizadores e colonizados e nas estratégias mais modernas e sub-reptícias de controle, como a manipulação midiática e a opressão sistemática sofrida por minorias. A impressão que fica é que esta é a parte mais bem-acabada do livro, a mais regular. Não se subentende que seja perfeita, já que perfeição per se não existe, mas certamente concentra alguns dos grandes acertos do livro, inclusive o maior: filhos de madalena. Reproduzo a quadra integralmente:

Alastra-se um cobertor virótico neste solo.
Quem dorme não terá mais chance de dizer: Bom dia!
Fazemos nossa parte: vendemos nossas vidas.
Hoje nossas genitálias rendem o prato do dia.





domingo, 20 de março de 2016

Poemas na Revista Portuguesa "InComunidade"






A Revista InComunidade edição 44 publicou alguns poemas meus neste mês de março. Também participam desta leva Maria Toscano, Carla Diacov, Fernando Martinho Guimarães, Floriano Martins, Jorge Vicente, R. Leontino Filho, Luis de Gonzaga, Luiza Maciel Bozola, Moises Cardenas, Wilmar Silva de Andrade, e outros.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Poemas na Revista Parênteses

Dia 19 de Fevereiro cinco poemas de minha autoria saíram na belíssima Revista Parênteses.






1- "Que o meu sonho nunca assombre você" para Billie Holiday (uma conversa com a famosa canção húngara do suicídio "Gloomy Sunday").   
                           
2- "O Canto da Sereia Morta" para Clara Nunes (com uma versão em francês de Ramon Lv Diaz "le chant de la sirène morts") 

3- "Recado circense para Nanã" extraído do meu livro Arame Farpado (uma conversa com a canção "Canto para minha Morte" de Raul Seixas).  
                                           
4- "Cidade dos Sonhos" extraído do meu livro Arame Farpado.

4- "Ode ao Rancor"







segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Entrevista lá no Pianista Boxeador





O escritor, professor e mestre em filosofia pela Universidade Federal de São Paulo, Daniel Lopes me convidou para uma entrevista lá no Pianista Boxeador. Ano passado ele fez uma resenha para o meu livro "Arame Farpado" conectando com o conceito de literatura menor, no sentido em que Deleuze e Guattari constroem este conceito (desterritorialização e agenciamento).


Entrevista >>>> aqui
Resenha >>>> aqui






sábado, 2 de janeiro de 2016

"A Boca de uma Cozinheira Russa" lá na Revista Zunái



(...)



Eu percebia aquela vida como uma coisa (uma coisa consumida pelos dois sentidos) e desde aquela estação eu receava que o amor estivesse sempre além da nossa natureza – o que sentíamos era apego, desejo e uma forte atração pelo bando.







2015



Um ano que me trouxe muitas experiências de equilíbrio - foi uma verdadeira balança entre perder e ganhar. Só consegui mantê-la equilibrada pelo simples fato de aceitar tudo o que me ocorreu. Perdi algo muito valioso e soube perder, caminhei até “o posto de entrega” e disse para o universo: pode levar, não lamentarei! Foi durante o decorrer do ano que compreendi a grandeza do poema “A Arte de Perder” de Elizabeth Bishop:

Perdi dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

 Saber perder é uma das ações mais transformadoras da espécie humana: tem gente que se reconstrói lindamente como uma fênix e, por outro lado, não saber perder pode nos imobilizar ou destruir impiedosamente toda a possibilidade de continuação. Depois de uma perda você pode se tornar um verme ou alguém com uma cota maior de experiências. Saber perder cedeu espaço para muitas coisas boas. Um exemplo que gosto de utilizar é do livro que sumiu na estante e você passa dias, para não dizer anos, na busca do objeto perdido e não se dá conta que ali ficou um espaço para um novo livro chegar: novas ideias, novos projetos, novas experiências sempre estarão em algum lugar nos esperando.


Foi assim, depois de experiências desastrosas que no segundo semestre consegui publicar meu primeiro livro "Arame Farpado" e com ele o universo devolveu experiências inenarráveis.

 



Links de resenhas, entrevistas e matérias sobre o Arame Farpado em 2015:

* Resenha no jornal "A Redação" (GO): 
http://aredacao.com.br/artigos/65535/de-asas-e-abismos-a-poesia-nos-arames-farpados-de-lisa-alves
* Resenha e entrevista na "Página Cultural" (MG): 
  http://paginacultural.com.br/poesia-para-driblar-distopicas-esquinas/
* Resenha e entrevista no Jornal de Literatura e Arte "O Equador das Coisas": 
http://oequadordascoisas.blogspot.com.br/2015/10/poesia-para-driblar-distopicas-esquinas.html?spref=fb
* Matéria na "Reversa Magazine": 
http://www.reversamag.com/arame-farpado-poetica-sobre-os-direitos-e-o-respeito-as-relacoes-homoafetivas/
* Resenha no "Pianista Boxeador":
http://pianistaboxeador21.blogspot.com.br/2015/08/as-trincheiras-de-uma-poeta.html
* Entrevista na Revista "Letras Et Cetera":
http://nanquin.blogspot.com.br/2015/08/entrevista-com-poeta-lisa-alves.html
* Entrevista no "Clube da Leitura" (RJ):
http://clubedaleiturarj.blogspot.com.br/2015/10/entrevista-lisa-alves-autora-de-arame.html



sábado, 5 de dezembro de 2015

Canteiro de Pragas


Fotografia | Tomohisa Tobitsuka


Eu não poderia imaginar
naufrágios, tumores, o pai defunto,
a maternidade estacionada
e a secreta decepção de não ter sido.

Eu não poderia imaginar
fantasmas povoando
                  meus sonhos,
                  meus medos genéticos,
                  meus dedos miúdos,
                  minha rara sobriedade,
                  minha perturbação congênita
                  e os braços breves demais
                  para abraçarem o mundo.

Eu não poderia imaginar
cavalos pastando livres
em um pátio de concreto
e a mulher morta embalada
pelo último fio de esperança no Eixão.

Eu não poderia imaginar
em uma segunda-feira
a peculiar notícia sobre o amigo
que desapareceu por completo
depois de assistir o último pôr do sol
                                    [no paralelo 15.

Eu não poderia imaginar
a vida em rifas, o pó alcaloide,
os dentes caídos, a cicatriz no torso,
os cistos hemorrágicos e a conjunção
de cabeças vazias batendo à porta.

Eu não poderia imaginar
tua boca todos os dias,
teu cheiro todas as noites,
duas flores se erguendo
em um canteiro de pragas.

 Eu não poderia sequer imaginar
nossa biografia vingando em um
diário mofado, coberto por fungos
e narrativas sobre remédios, pontos
na carne e um estrangeiro título na capa: Pest Garden




sábado, 14 de novembro de 2015

Chuva de Aqueronte






“Aquele rio jamais se abre aos peixes.”
João Cabral de Melo Neto


DESCERAM
 do   C É U,
fluíram pelo concreto,
 atacaram as maiores torres,
 beijaram as estruturas dos prédios,
submergiram os carros,
 desidrataram o mato,  
picharam as árvores,
 sugaram os peixes,
desmaterializaram os bravos,
 endureceram o coração das crianças,
 uniformizaram os imaturos e sangraram o peito das fêmeas.

Indaguei sobre suas identidades e eles
se admiraram – exibiram placas (suas credenciais) e
depois cursaram o meu corpo com lâminas afiadas.

Zombaram
como
hienas,
treparam
como cavalos,
ruminaram
feito Molochs e
disseram que eram demônios brotados da alma humana.

E eu que não possuo alma (tão raro saudade)
fechei os olhos, respirei três vezes até que o cheiro
do último Diabo fosse embora e arrastasse consigo todo sinal de morte.

E eles cantavam:
¯¯Lá fora nada sobrou – nem homem, nem mulher e nem bicho sagrado. ¯¯

Lembro como se fosse hoje da primeira chuva de 2050: “Chuva de Aqueronte” cobriu as cidades com um véu de morte, emudeceu o canto, infiltrou no solo, contaminou o magma e o que era para ser benção volveu-se em passagem para o meu barco sobrecarregado de mortos.


Chuva de cinzas,
chuva estéril,
chuva da desmaterialização,
chuva do infortúnio.


Meu nome é Deserto e nós somos muitos.





terça-feira, 20 de outubro de 2015

Resenha e Entrevista | para o Jornal de Literatura e Arte "O Equador das Coisas"





Não é de hoje que sou fraternalmente abraçada pela equipe de "O Equador das Coisas" (Carol Piva e Germano Xavier) . Participei de duas edições desse jornal impresso de literatura  e depois de lançar meu livro "Arame Farpado" fui felicitada com uma resenha seguida de uma entrevista. Para quem se interessar é só dar um clique AQUI




(...)

A mineira, radicada na capital federal há mais de uma década, estabelece em seu cortante ARAME FARPADO, um diálogo íntimo-comum de base existencial onde algumas das expressões mais pontuais parecem partir do seguinte questionamento: como manter-se vivo diante de tão imantada sociedade, de base distópica e essencialmente opressora?

A poetisa traça um percurso elucidativo – poesia elucida? – formatado em seis partes díspares, mas que se colidem fortemente em termos de conjunção temática, tratando de entrelaçar discussões acerca da formação do eu (ou dos eus, eus-nossos), de suas vivências afetivas, das experimentações mundanas e, por fim, das intermináveis conclusões destinadas ao império da palavra...


Germano Xavier








Entrevista | Clube da Leitura sobre "Arame Farpado"

com Marcos Nascimento (editor da Lug) e Maurício Gouveia (proprietário da Baratos da Ribeiro)



Dia 29 de setembro (durante minha estadia no Rio de Janeiro) fui conhecer o Clube da Leitura que fica na linda livraria e sebo Baratos da Ribeiro em Botafogo. No dia falei um pouco sobre o meu livro de poesia Arame Farpado, sorteei dois exemplares do livro, conheci pessoalmente o Daniel Ribas e o Guilherme Preger (que já eram amigos), tive a oportunidade de assistir a dinâmica do clube e depois disso tudo rolou uma entrevista feita pelo querido Daniel Ribas.












Segue um trecho da entrevista:

(...)



As minorias são tema de diversos poemas. Isto foi intencional ou algo que surgiu na composição da obra?

Todos os poemas são intencionais. E falar de minorias não é só falar do gay, do índio, do negro, da mulher, mas antes de tudo é falar do meu território. O Brasil viveu e ainda vive em uma situação de subordinação socioeconômica, política e cultural. 

Leia a entrevista completa aqui 





Lançamento | Arame Farpado na Lapa (RJ) - 17 de Setembro




O evento aconteceu dia 17/09  no Bar das Quengas, Lapa, no Rio de Janeiro.

Rolou uma mostra de vídeos poemas e booktrailer e para finalizar uma leitura de poemas do livro.











quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Entrevista | Letras et Cetera

Dia 26 de Agosto o escritor e colunista da Revista "Letras et Cetera" Fernando Rocha fez uma entrevista comigo. Falamos sobre o meu livro de poesia "Arame Farpado" e sobre processo criativo, sobre o Brasil e sobre Ecos.  Quem quiser conferir o que rolou é só dar um clique: