domingo, 3 de maio de 2015

Primavera Mortificada

Arquivo Pessoal





Qual face possuirei quando todos se forem?

Serei uma decomposição? 


Um broto de pragas no jardim?

Todas as noites descubro sua face em minhas quimeras,


todas as noites ainda a vejo cega, sem bússola, caçando minhas mãos


e rogas para que eu a conduza até a varanda para que assim consigas ouvir o mundo.


“Tia, uma mulher de manto escuro se aproxima!” 


(eu sei o seu nome, mas não quero assustá-la)


E assim você se vai: unida com a ancestral ideia que eu tinha da Primavera.



Setembro de 2011 | Lisa Alves