![]() |
"El velatorio'" de Eugene Smith
Dedicado à Juliana Botão
Quando
um pai morre
uma
filha reveste o pescoço de proteção
e
joga sal grosso na casa
e
toma banho de ervas benzidas.
Quando
um pai morre
morrem
também os espinhos tutores das rosas,
morrem
os bravos guerreiros do inconsciente
e
a força motriz q nos faz caminhar no Tenebroso
Mundo Nosso.
Quando
um pai morre
os
outros homens tiram os
& os carregam contra o peito
& cantam pelos órfãos da casa
& choram e bebem até que a alma
do
paimorto se levante e cante o último
refrão da música:
“♪ ♫ ♪”
(só quem vela conhece a canção)
Quando
um pai morre
as mães vagam em um deserto imaginário;
folheiam
o álbum de casamento e quando um filho queda
a
mãe repreende: “Ainda bem que Ele não
está aqui para assistir isso!”
Quando
um pai morre
o nosso yin yang fica manco,
um
dos pólos derretem,
as
vezes fica só o dia ou
somente
a noite povoando
[as estações.
Quando
um pai morre buscamos nas escrituras sagradas
uma
eternidade tardia e se não a encontramos
decodificamos
“A Mesa” de Drummond
até
nos acharmos em um daqueles filhos
e
digerir a ideia do ciclo natural da existência.
Quando
um pai morre nossa orbe
fica sem um pedaço e uma ferida
se
expande silenciosa até chegar o
tempo
de uma inevitável metástase.
Quando
um pai morre partimos para
o
deserto mais instantâneo e gritamos
pelo
nome do progenitor até que o
lugar
inabitado destrua o eco de nosso luto.
Quando
um pai morre um filho surge
em
outra banda do mundo – o qual
será
também, um dia, mais um pai que morre
com todos os benefícios adquiridos pela vida e
pela morte.
E
as mães? Não! Uma mãe nunca morre!
|
segunda-feira, 9 de junho de 2014
O Último Refrão da Música
quinta-feira, 22 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Três contos na Revista Diversos Afins
Esse mês têm três contos meus lá na 90ª Leva da Revista Diversos Afins
Um videopoema na Revista Mallarmargens
terça-feira, 6 de maio de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
Al Son de La Revolución no Festival Bang de Vídeo Arte de Barcelona
Hoje, 26 de Abril, será exibido meu videopoema "Al Son de La Revolución" no Centro Cultural La Casa Elizalde em Barcelona.
segunda-feira, 24 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
│e u t e n h o u m s o n h o│
![]() |
| Foto de Juliana Botão │ Interagindo com as instalações de Yayoi Kusama |
Linguagens, vozes, traduções de existências
PRANA, PRANA, PRANA
Soprar para dentro e
logo devolver uma
nova composição.
Sorver o aroma da extinção – respirar.
JIVA, JIVA, JIVA
Percorrer as ruas do Mundo – buscar sinais, respostas, dicas
para o escape.
PRANA JIVA, PRANA JIVA, PRANA JIVA
Cair, perder o fôlego,
transportar a idade nos genes
e assistir novas
vozes gritarem: REVOLUÇÃO!
I HAVE A DREAM
Beber com os antigos,
peregrinar com fetos
em gestação
e contemplar as novas expressões.
EU TENHO UM SONHO
A História rejeita as
multidões.
Fomos enjaulados em uma consciência de 3ª. Classe.
“Atenção passageiros
da 3ª. Classe, essa vida não possuí viagens de 3ª. Classe!”
Busco fendas,
passagens secretas,
aceleradores de partículas.
Uma voz questiona:
Cadê o seu sonho?
RESPIRAR, RESPIRAR,
RESPIRAR
quarta-feira, 19 de março de 2014
C O R P O │ performance poética
A cada sessenta minutos uma mulher morre por conflitos
de gênero. R e a j a!
a t i v i s m o n a r e d e │COMPARTILHE!
Esse vídeo/experimental/performático/ingênuo/amador fiz depois de ler uma matéria de estatísticas sobre feminicídio no Brasil e na Argentina. Já tem alguns meses que "topo" com esse tipo de notícia, já tem alguns anos que "topo" com esse tipo de situação. Algumas semanas atrás "topei" com a segunda parte do filme do Lars Von Trier e percebi as ligações (quem assistiu já entendeu), Lars Von Trier criou uma narrativa que nos leva a um fecho inevitável, o mesmo arquitetado pelo diretor Mohamed Diab em "El Cairo 678", a mesma clássica sugestão da "Lei de Talião". Esses dias fui convidada a escrever um poema sobre o feminicídio na Ciudad de Juarez (México) e fiquei assustada, horrorizada com a pesquisa que fiz, com a histórias de assassinato de mulheres, com essa maldita "cultura" patriarcalista fomentada por poemas de Victor Hugo que insiste em colocar a mulher no altar - um local de respeito ilusório, que vende um arquétipo "perfeito" da mulher pura, santa, frágil, sem desejos e que perdoa qualquer deslize do sexo oposto (inclusive uma boa bofetada ou um chute nos órgãos genitais). Por favor, jamais me presenteie com tal poema que resume a mulher a isso: "O homem é o cérebro;/ A mulher é o coração./ O cérebro fabrica a luz;/ O coração, o AMOR./A luz fecunda, o amor ressuscita./O homem é forte pela razão; A mulher é invencível pelas lágrimas. O homem é capaz de todos os heroísmos;/ A mulher, de todos os martírios./O heroísmo enobrece, o martírio sublima./O homem é um código;/A mulher é um evangelho." Enfim, hoje creio que todos leram a pesquisa do IPEA e se assustaram com o fato do feminicídio ser apoiado pela maioria das mulheres entrevistadas, isso me lembrou também do pensamento de Aldous Huxley "A ditadura perfeita, terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros, na qual os prisioneiros nem sonharão sequer com uma fuga. É imperativo o Feminismo no Mundo.
INSPIRADO NO FINAL DE NINFOMANÍACA PARTE II DE LARS VON TRIER
" Se não aprendem pela razão, vai de Lei de Talião!"
" Se não aprendem pela razão, vai de Lei de Talião!"
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Carta para o meu Pai
(...)
“Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas , que sobem.”
RESÍDUO (Carlos Drummond de Andrade)
Sempre critiquei esse constante retorno às épocas festivas – natal, ano novo, aniversários. Como se a vida variasse nesses ciclos e francamente nunca soube reparar um sentido lógico e nem mesmo uma transformação significativa. Mas nesse final de ano algo mudou aqui dentro, pois você partiu para sempre no ultimo mês e eu fiquei com a sensação que 2014 abriria com um gosto de vazio e assim foi. Quem dera poder passar novamente uma virada de ano com você e prestigiar seu riso de homem menino, quem dera poder ouvir suas aventuras loucas e duvidar que alguém pudesse ter vivido aquilo. Ah aquela vida alienada e ingênua agora me faz falta, muita falta! Eu pensei que tinha uma migalha de fé em outras possibilidades de continuação de vida, mas tudo o que me lembro é de terem colocado teu corpo naquele túmulo de concreto e terem lacrado – uma amostra da nossa insignificância. Sinto-me sem chão, sem fé e com uma decepção pessoal enorme. Sabe pai, eu sempre quis transformar o mundo, qualificava-me capaz disso, considerava-me potente para lutar pelo bem coletivo, mas quando você se foi compreendi minha alienação e minha fraude. Eu nunca lutei por você, eu nunca fui atrás para saber a causa de sua vida ter sido assim, porque de tanta solidão e isolamento. Compreendi então que eu nunca tentei transformar o mundo do homem que me trouxe nessa orbe azul. Nós humanos somos muitos prepotentes, arrogantes e egoístas (alguns de nós, pois sei que tem muita gente melhor do que eu por aí). Como pude acreditar que minhas idéias reverberariam para o coletivo de forma benéfica? O sistema arrancou você de mim (ou será que fomos nós que nos perdemos)? Essa doença maldita está no ar contaminado pela indústria, na comida inserida por bilhões de venenos e manipulação genética, nas drogas legalizadas, na água contaminada pelas mineradoras e pela agroindústria e pior pelo nosso consumo irracional e nosso descarte irresponsável. É eu ainda sou carregada de argumentos, ainda culpo o externo, ainda culpo o outro coletivo que financia a própria morte do planeta, mas também sei que estamos dentro dele e estamos nos envenenando a cada segundo. Eu prometo que vou mudar radicalmente e fazer das minhas palavras uma munição de vingança e ação. Se a vida é um prêmio único e sem direito a repetição vou fazer o melhor que eu puder começando pelo meu universo ao redor e se eu conseguir quem sabe eu volte a falar do mundo. Obrigada por ter me plantado aqui e perdão por eu não ter feito nada ainda para fazer essa existência valer à pena.
(...)
“Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de
escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as
igrejas triunfantes
e sob ti mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da
classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.”
RESÍDUO (Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Extrato
Ando meio acabada – meio sol de
tarde, meio copo de café, meio viva
Carrego meio fardo – pedaços de
cruz e espalho meios sorrisos
Ando meio louca – meio Pinel, meio surtada
Carrego estrelas nas costas – 1/2
de decadências e palavras rápidas
Ando meio torta – meio torcida,
meio desfigurada
Carrego meio de mim – 1/3 de
orações e o resto são ciências
Ando meio espinho – meio na
defensiva, meio porta fechada
Carrego meios mistérios – 1/4 de espíritos
e rezas inventadas
Ando meio lisa – meio
escorregadia, meio fugitiva
Carrego meios ilícitos –1/5 de pó
e o resto são miniervas
Ando meio assim de lado – meio
tombada, meio Torre de Pisa
Carrego sementes nos bolsos - 1/6
de crisântemos e essências da morte
Ando sem norte, cortando pedras drummondianas, lançando metáforas
para o túmulo até 1/7 de palmos horizontais.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Cantiga de Ninar os Mortos
Um poema feito para os que aqui estão sem estar
e para as sanguessugas do Estado
CANTIGA DE NINAR OS MORTOS
Teu corpo foi devorado
pelos vermes do acaso.
Procure amanhã pelos becos estragados
um pobre derrotado para se encostar.
Talvez consiga se alimentar dos vícios do coitado.
Poema/ Edição/Criação/Voz: Lisa Alves
e para as sanguessugas do Estado
CANTIGA DE NINAR OS MORTOS
Dorme pequena alma
entre os ectoplasmas.
Procure amanhã pelos becos estragados
um pobre derrotado para se encostar.
Talvez consiga se alimentar dos vícios do coitado.
Poema/ Edição/Criação/Voz: Lisa Alves
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Performance
Jogou-se ao chão,
lambeu as feridas,
mastigou os ossos,
esfregou a cabeça no asfalto quente
e depois recitou Leminski
(aquele cachorro louco).
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
27ª Edição da Revista Ellenismos
Está no ar a 27ª edição da Revista Ellenismos! Assistam a vinheta:
Colaboro com a Revista desde a 23 edição e nesta cuja temática é Des-construindo o Gênero apresento "Cartas ao Mundo" e "Metamorphosis' além de algumas colagens e desenhos.
Você pode baixar em pdf: Revista Ellenimos
Ler online: Revista Ellenismos
Colaboro com a Revista desde a 23 edição e nesta cuja temática é Des-construindo o Gênero apresento "Cartas ao Mundo" e "Metamorphosis' além de algumas colagens e desenhos.
Além disso, há traduções de Nina Rizzi, poemas de Katyuscia Carvalho, Lara Amaral, Eduardo Quive, intervenção urbana de Jota Mombaça e mais um monte de artista independente escrevendo para o coletivo de forma livre e sem "cobrar impostos para a Rainha".
Você pode baixar em pdf: Revista Ellenimos
Ler online: Revista Ellenismos
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Saiu na Folha
e nunca mais esqueceremos:
daquele dia, daquela árvore
e daquela folha mutante...
daquele dia, daquela árvore
e daquela folha mutante...
Quão uma fenda sem luz absorvo
épocas e todos os artigos históricos. Nada me sustém, a não ser a
composição tarja preta ou aquele som produzido em softwares. Depressão,
Solitude – haja prosperidade nas
drogarias para comprarmos aos montes ou antes que nos inibam de senti-la. Desse
jeito! Assim: sem aroma e apenas com um plug! Lembra dos Beatniks? Os cientistas afirmam
que no futuro dialogaremos com os dedos, já sinto o primeiro dente
nascer no polegar. Sem vaginas, sem pênis e
nossas bundas criarão pés para que o tamborete seja impecável e completamente
natural. Já ouvimos isso antes,
bem antes de produzirem água em pó e daquele imbecil do psiquiatra pedir que eu
expandisse minha cachola com os controladores de humor. E agora
querem saber o que me leva a gargalhar em velórios e dias frios.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Além de 220 volts
O grande pátio onde de manhã tomamos sol nem
sempre tem sol, o que demonstra a incúria do governo e a irresponsabilidade
daqueles a quem pagamos para que nos dêem sol, já que não nos podem dar a
liberdade.
Campos de Carvalho - A Lua vem da Àsia
Chovem pétalas sobre a face do morto, a natureza denuncia seus desígnios – reveste os restos, acaçapa as sobras. Do céu nenhum anjo, mas o abutre faz festejo e conduz a prole para o desjejum. Miro as nuvens, penetro a terra com as unhas em sangue e nada favorece a minha ressurreição. Eu sou? Eu estou? Desconhecia esse tipo de morte, nenhuma obra articulou a miscelânea secreta dos reinos, nem esse arquitetar hibrido, tão pouco a fusão – é como recuar ao ovo sem ser germe, é como ser milenar no jardim de infância. Eu existo em tudo e no nível anterior eu era um organismo preso por sistemas – intuo as línguas do mundo e sorvo as raízes da maior árvore do universo, cruzo fendas atemporais e revejo meus antepassados: banhas em mares. Agora sou o algoz de minha carne – aquele que se engole, o antropofágico, o escorpião circulado por chamas, o kamikase. Confesso: eu trazia um sabor de medo, carregava petiscos de trauma no estômago, eu era indigesto. Meus pés possuíam odor de preguiça e meus miolos ansiavam serem beijados assim como um clitóris em plena excitação. Eu era fácil, um alvo fácil para a domesticação. Mas esse-agora-existir não acata paredes, não teme os arames farpados, não se rende aos muros partidários e nem as economics fronteiras. Esse existir transporta mais do que 220 volts para o ninho e só mata o que alimenta. Confiem, só as gralhas são bem-aventuradas!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Soul Eco
"Eles dizem que sou demasiado para a esquerda
Pelo menos se eu não for alguém
Porque eu não posso mudar isso
E não é estranho se eu estou apenas sendo eu mesmo
Eles dizem que eu estou longe demais
Bem, eu digo que eles estão errados
Porque quem são eles para dizer quem eu deveria ser
E para onde estou indo "
Help Me - Macy Gray
"O inferno nem é tão longe
Bem depois de onde nada se esconde"
Inferno- Nação Zumbi
I
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Cumplicidade das Letras
Caros amigos, recebi nessa manhã a coletânea Cumplicidade das Letras a qual participei em homenagem ao poeta Affonso Romano de Sant'Anna com o poema Quadro de Avisos (já publicado aqui no blog).
A coletânea conta com mais de cem
poetas, dentre eles: Rubens Jardim,
Eduardo Tornaghi, Nydia Bonetti, Valdeck Almeida de Jesus e tantos outros que ainda não deu tempo para conferir e comentar.
Fiquei encantada com a poesia "Um "b" balbúcio ao quotidiano de Maputo" de Dinis Mubai, poeta de Moçambique.
Fiquei encantada com a poesia "Um "b" balbúcio ao quotidiano de Maputo" de Dinis Mubai, poeta de Moçambique.
A coletânea foi organizada pelo escritor mineiro Bruno Resende Ramos e está a venda no site da Perse.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Legião
Soprou
o tempo
na
máscara imatura.
E os
mapas da eternidade,
como
em um roce de magia,
vorazmente
se mostraram.
Assinar:
Postagens (Atom)












.jpg)
