domingo, 30 de outubro de 2016
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Arnaldo Afonso escreve sobre "Arame Farpado" no Estadão
(...) Se a literatura é uma espécie de vida quase traduzida, jamais decifrada, a poesia de Lisa é uma iluminação de enigmas. Seus poemas são adultas reflexões político-filosóficas sobre o peso de cada ato (isolado/coletivo), a culpa do passado, o futuro complexo e desesperançado e a futilidade do prosaico cotidiano dos homens. Não se tratam de poemas ao redor do umbigo. Ou o umbigo/mundo de Lisa é feito um nó de todos nós, nossos umbigos conservadores e egoístas, cheios de medo e preconceito. Ela não se esconde nem alisa nossa ferida. Luta cutuca machuca e avisa. LEIA O TEXTO COMPLETO
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
2 poemas na Revista Tlön
Chegou aqui na Terra Brasilis a Revista Portuguesa Tlön - primeiro número de um sonho arquitetado pela Luiza Nilo Nunes.
O planeta Tlön (de Borges) é o universo da linguagem, da cultura da abstração e da “realidade fictícia”. “Sonhar” dentro das ficções é fazer algo acontecer no mundo. Muito feliz de fazer parte deste sonho. Foram publicados dois poemas do meu livro "Arame Farpado" neste primeiro número (um sonho dentro de outro sonho).
E tem poemas e fotografias de uns sonhadores que admiro muito.
Textos de Nuno Mangas Viegas, Fátima Vale, Andreia Faria, Rubens Zárate, Luiza Nilo Nunes, Ana Paula Inácio, Viktor Schuldtt, Lisa Alves, Andréia Carvalho Gavita, Elsa Oliveira, Bruna Mitrano, Renato Filipe Cardoso, Josefa de Maltezinho e fotografias de João Fitas, Julio Oliveira, Cristina Oliveira, Teresa A. e Carina Constantino.
A Tlön tem o custo de 5 € e pode ser adquirida através do email: tlon.revistaliteraria@outlook.pt ou da página: https://www.facebook.com/revistaliterariatlon/…
Encontra-se também disponível nos seguintes espaços:
Livraria Poetria https://www.facebook.com/LivrariaPOETRIA/?fref=ts
Livraria Poetria https://www.facebook.com/LivrariaPOETRIA/?fref=ts
Gato Vadio https://www.facebook.com/gato.vadio/?fref=ts
Livraria Utopia https://www.facebook.com/livrariautopia/?fref=ts
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
O Dono do Amanhã
![]() |
| Arthur Tress |
as paredes racham
meninos brincam com césio 137
nos quintais a última marca de existência é um campo de penas
e o escultor tenta reproduzir a delicadeza das fêmeas com arames farpados,
é tudo simulação
uma privada exposta em mais um museu
o homem que não sabe cantar mugi
mugiremos até o próximo matadouro
morreremos sem injeção letal e ao som do tic-tac,
é tudo performance
uma legião caminha às cinco da manhã
pelo pão de cada dia vendei-nos hoje e
se tivermos sorte amanhã (e depois), pois
o padeiro não perdoa ninguém e ninguém
perdoará o padeiro pelo trigo transgênico,
é tudo demarcação
células, anticorpos, DNAs,
estômago, refluxo, aparelho digestivo,
fetos e flores de cianureto
levam a assinatura de um único amo:
o dono do amanhã.
poema originalmente publicado na Revista Incomunidade (Portugal)
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Idomeni
Dentro de teus olhos
assisti a criatura
transportando dois
meninos nos ombros.
Você pediu para eu me virasse
e eu neguei três vezes.
Justifico-me agora:
eu também
testemunhei
a passagem da
mãe e suas crias mortas:
segui cada rastro de sangue
e me juntei a ela
e uivamos feito duas lobas raivosas
e passamos sangue pelos viadutos
e perfuramos as tetas
e arrancamos o útero
e depois dormimos uma por cima da outra
ao som de uma cantiga estrangeira.
A canção era um lamento de gerações espontâneas:
mal nasciam e deitavam em um leito de terra,
mal cresciam e já se oxidavam.
A canção era preenchida de barreiras, fronteiras e arames farpados.
Sim – dentro de teus olhos!
E você sobreviveu.
Lisa Alves | 2016
Poema originalmente publicado na Revista Portuguesa Incomunidade \ Edição 44.
http://
*Idomeni: campo de acolhimento dos refugiados em território Grego.
"Minha Mãe Costurava para Travestis" no Estadão
Dia 15 de Junho o Arnaldo Afonso publicou uma matéria no Estadão sobre o massacre que aconteceu na boate GLS em Orlando, massacre que ceifou mais de cinquenta vidas e feriu centenas. Na matéria ele cita "Minha Mãe Costurava para Travestis" um videopoema que desde 2014 tem tido uma ótima recepção no meio literário e dentro da comunidade LGBTTT. Ano passado ficou entre os dez videopoemas selecionados para o Festival Londrix na Feira Literária de Londrina (pág 25).
Segue o link da matéria: aqui
quinta-feira, 2 de junho de 2016
4 Poemas no Literatura Br
Alguns poemas do meu livro Arame Farpado lá no LiteraturaBr, lindamente levados pelo poeta, editor e amigo Demetrios Galvão.
Poema de "Arame Farpado" na última Edição do Jornal Relevo
Na Edição de Maio do Jornal Relevo foi publicado o poema "E eu saboreio uma Irish Car Bomb" que faz parte do corpo de poemas do meu livro Arame Farpado.
Para ler: https://issuu.com/jornalrelevo/docs/relevo_de_maio_de_2016/1?e=0
Para ler: https://issuu.com/jornalrelevo/docs/relevo_de_maio_de_2016/1?e=0
segunda-feira, 21 de março de 2016
Resenha crítica de "Arame Farpado" na Revista Mallarmargens
Publicar um livro não é fácil, ser lido então é um verdadeiro milagre. E qual é a missão da crítica? Segundo Antônio Lobo Antunes é " ajudar a ler". Autor do livro Elevador (Patuá, 2014), Gabriel Resende Santos escreveu uma resenha crítica sobre o meu livro de poemas "Arame Farpado".
(...) Da Dominação acirra as tendências benjaminianas de sua poética, focando nos colonizadores e colonizados e nas estratégias mais modernas e sub-reptícias de controle, como a manipulação midiática e a opressão sistemática sofrida por minorias. A impressão que fica é que esta é a parte mais bem-acabada do livro, a mais regular. Não se subentende que seja perfeita, já que perfeição per se não existe, mas certamente concentra alguns dos grandes acertos do livro, inclusive o maior: filhos de madalena. Reproduzo a quadra integralmente:
Alastra-se um cobertor virótico neste solo.
Quem dorme não terá mais chance de dizer: Bom dia!
Fazemos nossa parte: vendemos nossas vidas.
Hoje nossas genitálias rendem o prato do dia.
domingo, 20 de março de 2016
Poemas na Revista Portuguesa "InComunidade"
A Revista InComunidade edição 44 publicou alguns poemas meus neste mês de março. Também participam desta leva Maria Toscano, Carla Diacov, Fernando Martinho Guimarães, Floriano Martins, Jorge Vicente, R. Leontino Filho, Luis de Gonzaga, Luiza Maciel Bozola, Moises Cardenas, Wilmar Silva de Andrade, e outros.
Seguem o link [http://www.incomunidade.com/v44/art_bl.php?art=66]
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Poemas na Revista Parênteses
Dia 19 de Fevereiro cinco poemas de minha autoria saíram na belíssima Revista Parênteses.
1- "Que o meu sonho nunca assombre você" para Billie Holiday (uma conversa com a famosa canção húngara do suicídio "Gloomy Sunday").
2- "O Canto da Sereia Morta" para Clara Nunes (com uma versão em francês de Ramon Lv Diaz "le chant de la sirène morts")
3- "Recado circense para Nanã" extraído do meu livro Arame Farpado (uma conversa com a canção "Canto para minha Morte" de Raul Seixas).
4- "Cidade dos Sonhos" extraído do meu livro Arame Farpado.
4- "Ode ao Rancor"
Para Baixar: http://bit.ly/parenteses_ed10
1- "Que o meu sonho nunca assombre você" para Billie Holiday (uma conversa com a famosa canção húngara do suicídio "Gloomy Sunday").
2- "O Canto da Sereia Morta" para Clara Nunes (com uma versão em francês de Ramon Lv Diaz "le chant de la sirène morts")
3- "Recado circense para Nanã" extraído do meu livro Arame Farpado (uma conversa com a canção "Canto para minha Morte" de Raul Seixas).
4- "Cidade dos Sonhos" extraído do meu livro Arame Farpado.
4- "Ode ao Rancor"
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Entrevista lá no Pianista Boxeador
O escritor, professor e mestre em filosofia pela Universidade Federal de São Paulo, Daniel Lopes me convidou para uma entrevista lá no Pianista Boxeador. Ano passado ele fez uma resenha para o meu livro "Arame Farpado" conectando com o conceito de literatura menor, no sentido em que Deleuze e Guattari constroem este conceito (desterritorialização e agenciamento).
Entrevista >>>> aqui
Resenha >>>> aqui
sábado, 2 de janeiro de 2016
"A Boca de uma Cozinheira Russa" lá na Revista Zunái
(...)
Eu percebia aquela vida como uma coisa (uma coisa consumida pelos dois sentidos) e desde aquela estação eu receava que o amor estivesse sempre além da nossa natureza – o que sentíamos era apego, desejo e uma forte atração pelo bando.
2015
Um ano que me trouxe muitas experiências
de equilíbrio - foi uma verdadeira balança entre perder e ganhar. Só consegui mantê-la
equilibrada pelo simples fato de aceitar tudo o que me ocorreu. Perdi algo
muito valioso e soube perder, caminhei até “o posto de entrega” e disse para o
universo: pode levar, não lamentarei! Foi
durante o decorrer do ano que compreendi a grandeza do poema “A Arte de Perder”
de Elizabeth Bishop:
Perdi dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Saber perder é uma das ações mais
transformadoras da espécie humana: tem gente que se reconstrói lindamente como
uma fênix e, por outro lado, não saber perder pode nos imobilizar ou destruir impiedosamente
toda a possibilidade de continuação. Depois de uma perda você pode se tornar um
verme ou alguém com uma cota maior de experiências. Saber perder cedeu espaço
para muitas coisas boas. Um exemplo que gosto de utilizar é do livro que sumiu
na estante e você passa dias, para não dizer anos, na busca do objeto perdido e
não se dá conta que ali ficou um espaço para um novo livro chegar: novas
ideias, novos projetos, novas experiências sempre estarão em algum lugar nos
esperando.
Foi assim, depois de experiências desastrosas que no segundo semestre consegui publicar meu primeiro livro "Arame Farpado" e com ele o universo devolveu experiências inenarráveis.
Links de resenhas, entrevistas e matérias sobre o Arame Farpado em 2015:
* Resenha no jornal "A Redação" (GO):
http://aredacao.com.br/artigos/65535/de-asas-e-abismos-a-poesia-nos-arames-farpados-de-lisa-alves
* Resenha e entrevista na "Página Cultural" (MG):
http://paginacultural.com.br/poesia-para-driblar-distopicas-esquinas/
* Resenha e entrevista no Jornal de Literatura e Arte "O Equador das Coisas":
http://oequadordascoisas.blogspot.com.br/2015/10/poesia-para-driblar-distopicas-esquinas.html?spref=fb
* Matéria na "Reversa Magazine":
http://www.reversamag.com/arame-farpado-poetica-sobre-os-direitos-e-o-respeito-as-relacoes-homoafetivas/
* Resenha no "Pianista Boxeador":
http://pianistaboxeador21.blogspot.com.br/2015/08/as-trincheiras-de-uma-poeta.html
* Entrevista na Revista "Letras Et Cetera":
http://nanquin.blogspot.com.br/2015/08/entrevista-com-poeta-lisa-alves.html
* Entrevista no "Clube da Leitura" (RJ):
http://clubedaleiturarj.blogspot.com.br/2015/10/entrevista-lisa-alves-autora-de-arame.htmlsábado, 14 de novembro de 2015
Chuva de Aqueronte
“Aquele rio
jamais se abre aos peixes.”
João Cabral de
Melo Neto
DESCERAM
do
C É U,
fluíram pelo concreto,
atacaram
as maiores torres,
beijaram
as estruturas dos prédios,
submergiram os carros,
desidrataram
o mato,
picharam as árvores,
sugaram
os peixes,
desmaterializaram os bravos,
endureceram
o coração das crianças,
uniformizaram
os imaturos e sangraram o peito das fêmeas.
Indaguei sobre suas identidades e eles
se admiraram – exibiram placas (suas credenciais)
e
depois cursaram o meu corpo com lâminas
afiadas.
Zombaram
como
hienas,
treparam
como cavalos,
ruminaram
feito Molochs e
disseram que eram demônios brotados da
alma humana.
E eu que não possuo
alma (tão raro saudade)
fechei os olhos,
respirei três vezes até que o cheiro
do último Diabo fosse embora e arrastasse consigo todo
sinal de morte.
E eles cantavam:
¯¯Lá fora nada sobrou – nem homem, nem
mulher e nem bicho sagrado. ¯¯
Lembro
como se fosse hoje da primeira chuva de 2050: “Chuva de Aqueronte” cobriu as
cidades com um véu de morte, emudeceu o canto, infiltrou no solo, contaminou o
magma e o que era para ser benção volveu-se em passagem para o meu barco sobrecarregado
de mortos.
Chuva de cinzas,
chuva estéril,
chuva da desmaterialização,
chuva do infortúnio.
Meu nome é Deserto e nós somos muitos.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Resenha e Entrevista | para o Jornal de Literatura e Arte "O Equador das Coisas"
Não é de hoje que sou fraternalmente abraçada pela equipe de "O Equador das Coisas" (Carol Piva e Germano Xavier) . Participei de duas edições desse jornal impresso de literatura e depois de lançar meu livro "Arame Farpado" fui felicitada com uma resenha seguida de uma entrevista. Para quem se interessar é só dar um clique AQUI
(...)
A mineira, radicada na capital federal há mais de uma década, estabelece em seu cortante ARAME FARPADO, um diálogo íntimo-comum de base existencial onde algumas das expressões mais pontuais parecem partir do seguinte questionamento: como manter-se vivo diante de tão imantada sociedade, de base distópica e essencialmente opressora?
A poetisa traça um percurso elucidativo – poesia elucida? – formatado em seis partes díspares, mas que se colidem fortemente em termos de conjunção temática, tratando de entrelaçar discussões acerca da formação do eu (ou dos eus, eus-nossos), de suas vivências afetivas, das experimentações mundanas e, por fim, das intermináveis conclusões destinadas ao império da palavra...
Germano Xavier
Entrevista | Clube da Leitura sobre "Arame Farpado"
![]() |
| com Marcos Nascimento (editor da Lug) e Maurício Gouveia (proprietário da Baratos da Ribeiro) |
Dia 29 de setembro (durante minha estadia no Rio de Janeiro) fui conhecer o Clube da Leitura que fica na linda livraria e sebo Baratos da Ribeiro em Botafogo. No dia falei um pouco sobre o meu livro de poesia Arame Farpado, sorteei dois exemplares do livro, conheci pessoalmente o Daniel Ribas e o Guilherme Preger (que já eram amigos), tive a oportunidade de assistir a dinâmica do clube e depois disso tudo rolou uma entrevista feita pelo querido Daniel Ribas.
Segue um trecho da entrevista:
(...)
As minorias são tema de diversos poemas. Isto foi intencional ou algo que surgiu na composição da obra?
Todos os poemas são intencionais. E falar de minorias não é só falar do gay, do índio, do negro, da mulher, mas antes de tudo é falar do meu território. O Brasil viveu e ainda vive em uma situação de subordinação socioeconômica, política e cultural.
Leia a entrevista completa aqui
Lançamento | Arame Farpado na Lapa (RJ) - 17 de Setembro
Rolou uma mostra de vídeos poemas e booktrailer e para finalizar uma leitura de poemas do livro.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Entrevista | Letras et Cetera
Dia 26 de Agosto o escritor e colunista da Revista "Letras et Cetera" Fernando Rocha fez uma entrevista comigo. Falamos sobre o meu livro de poesia "Arame Farpado" e sobre processo criativo, sobre o Brasil e sobre Ecos. Quem quiser conferir o que rolou é só dar um clique:
domingo, 16 de agosto de 2015
Booktrailer | poesia "Arame Farpado" de Lisa Alves
"Lisa Alves compõe um livro de poemas dividido em seis partes: Do eu, Dos territórios, Da dominação, Da vindicta, Das contradições e Da poesia. Essas partes formam uma espécie de tratado sobre a nudez e o cárcere do homem de todos os tempos, assim como um estudo detalhado da matéria inorgânica que rodeia esse ser tão próximo à aberração. Nada foge ao olhar arguto e ácido dessa grande escritora. Não encontramos um livro propício para uma tarde de domingo, seus textos têm a densidade e o peso das madrugadas insones."
"A poesia de Lisa é um modo de questionar nossa identidade. Que é ser brasileiro? Como se forma uma individualidade num país pobre e preconceituoso? Como podemos ser com o outro? Não com os donos do poder e do capital, mas com “os do final da fila”? Devir é sempre minoritário e optar pelo menor é uma opção política, não partidária, mas política."
"Que estranha forma de ficcionalidade é esta, que se reconhece como profundamente real? Na fabricação de seu próprio corpo entre farpas e registros de mãos que nascem do meio de águas? Talvez tudo seja fragmentação nestes tempos. E é no deserto dessa narrativa íntima, afeita à matéria das "repetições, ponteiro do relógio [...]", porque "a repetição é uma experiência absoluta", que está a poesia de Lisa, como um corpo de memórias anônimas ou uma esfinge especular."
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