Dia 26 de Agosto o escritor e colunista da Revista "Letras et Cetera" Fernando Rocha fez uma entrevista comigo. Falamos sobre o meu livro de poesia "Arame Farpado" e sobre processo criativo, sobre o Brasil e sobre Ecos. Quem quiser conferir o que rolou é só dar um clique:
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
domingo, 16 de agosto de 2015
Booktrailer | poesia "Arame Farpado" de Lisa Alves
"Lisa Alves compõe um livro de poemas dividido em seis partes: Do eu, Dos territórios, Da dominação, Da vindicta, Das contradições e Da poesia. Essas partes formam uma espécie de tratado sobre a nudez e o cárcere do homem de todos os tempos, assim como um estudo detalhado da matéria inorgânica que rodeia esse ser tão próximo à aberração. Nada foge ao olhar arguto e ácido dessa grande escritora. Não encontramos um livro propício para uma tarde de domingo, seus textos têm a densidade e o peso das madrugadas insones."
"A poesia de Lisa é um modo de questionar nossa identidade. Que é ser brasileiro? Como se forma uma individualidade num país pobre e preconceituoso? Como podemos ser com o outro? Não com os donos do poder e do capital, mas com “os do final da fila”? Devir é sempre minoritário e optar pelo menor é uma opção política, não partidária, mas política."
"Que estranha forma de ficcionalidade é esta, que se reconhece como profundamente real? Na fabricação de seu próprio corpo entre farpas e registros de mãos que nascem do meio de águas? Talvez tudo seja fragmentação nestes tempos. E é no deserto dessa narrativa íntima, afeita à matéria das "repetições, ponteiro do relógio [...]", porque "a repetição é uma experiência absoluta", que está a poesia de Lisa, como um corpo de memórias anônimas ou uma esfinge especular."
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Lançamento de "Arame Farpado" | 15 de Agosto
Dia 15 de Agosto (sábado) às 16 horas, lançarei virtualmente pelo Facebook "Arame Farpado" meu primeiro livro de poemas. Ficarei honrada com a presença virtual de todos. Em setembro estarei no Rio (ainda sem data certa para lançar) e depois São Paulo.
Link do evento: www.facebook.com/events/1615083992099769/
Link do evento: www.facebook.com/events/1615083992099769/
Link da resenha do livro escrita pelo autor Daniel Lopes: pianistaboxeador21.blogspot.com.br/2015/08/as-trincheiras-de-uma-poeta.html
A arte da capa foi elaborada pela minha musa Juliana Botão, a orelha escrita pela grande escritora Marcia Barbieri. A obra teve apoio editorial da NYX Poética (RJ) de Marcos Nascimento e do Coletivo Púcaro (SP, DF e RJ).
Nota pós lançamento virtual:
O lançamento virtual foi bem legal e interativo. E quem não estava online na hora e quiser conferir o que rolou o evento ficará disponível. Teve um vídeo que postei falando sobre a publicação, entrevista (com Fernando Rocha), poema musicado (com Fabio Mungo), vídeo do pré-lançamento que rolou dia 14 na Funarte, booktrailer, poesia comentada (com Mar Becker), resenha (com Daniel Lopes) e a apresentação feita por Marcia Barbieri.
Nota pós lançamento virtual:
O lançamento virtual foi bem legal e interativo. E quem não estava online na hora e quiser conferir o que rolou o evento ficará disponível. Teve um vídeo que postei falando sobre a publicação, entrevista (com Fernando Rocha), poema musicado (com Fabio Mungo), vídeo do pré-lançamento que rolou dia 14 na Funarte, booktrailer, poesia comentada (com Mar Becker), resenha (com Daniel Lopes) e a apresentação feita por Marcia Barbieri.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Lançamento da Antologia Poética 29 de Abril | O Verso da Violência
Ontem, dia 04 de Agosto, aconteceu o lançamento pelo facebook da Antologia Poética 29 de Abril: o Verso da Violência (Patuá, 200 págs., R$ 15). O livro foi organizado pelos escritores Domenico A. Coiro, Mar Becker, Priscila Merizzio e Silvana Guimarães e conta com um grupo de 80 poetas. Tive a honra de participar com um poema: "O mais cruel dos meses". A antologia possui 200 págs. e será vendida por 15 reais.
Capa: Bruno Palma e Silva e Silvana Guimarães
Imagem da capa: Brunno Covello
domingo, 19 de julho de 2015
Lançamento da AQUAFÚRIA: uma antologia de poetas sedentos
"Quanto vale a água? Quanto vale a vida?" - questionamentos lúcidos feitos por Carlos Eduardo Carneiro na apresentação dessa antologia organizada por Thiago Cervan.
Contribuo com um poema sobre a crise hídrica conjuntamente com vários "poetas sedentos" do Brasil. É de graça: só baixar, ler e compartilhar. Emoticon wink
Organização: Thiago Cervan
Foto da capa: Laura Aidar.
Apresentação: Carlos Eduardo Carneiro.
download free:
domingo, 12 de julho de 2015
Ode ao Rancor
Fanny Latour Lambert
"O que há de errado comigo
Não consigo encontrar abrigo
Meu país é campo inimigo
E você finge que vê, mas não vê"
A Fonte | Legião Urbana
Desintegram fotografias e células.
Os olhos se desmancham sobre a relva,
as mãos se oxidam na dança do tempo,
o pai já não está e a mãe se prepara para
[o beijo da Morte.
Você estuda sobre remédios
e sobre a decomposição da carne.
Os olhos se desmancham sobre a relva,
as mãos se oxidam na dança do tempo,
o pai já não está e a mãe se prepara para
[o beijo da Morte.
Você estuda sobre remédios
e sobre a decomposição da carne.
Vive o seu tempo e aprende
sobre antigos fantasmas e q
sobre antigos fantasmas e q
dentro da História familiar
também existiram opressores.
Você sente a existência depois de terríveis dramas:
depois de sua avó perder cinco bebês e bem depois
também existiram opressores.
Você sente a existência depois de terríveis dramas:
depois de sua avó perder cinco bebês e bem depois
de seu bisavô ter matado vinte índios e violentado a
honra de centenas de imigrantes.Você existe entre bilhões e
tudo o q precisa saber é trocar
as fraldas de sua mãe, a utilidade
de cada medicamento, cicatrizar as
feridas e dizer dez vezes por dia
para sua velha: tudo vai dar certo.
Depois virá a poesia,
pois a poesia começa tarde,
depois do crepúsculo,
depois dos velórios,
depois q as pernas falharem,
depois da pele se tornar um mapa do tempo – coberta de linhas e cicatrizes.
E se o amor começa tarde (como bem disse o poeta gauche),
o ódio acorda cedo – nas reminiscências da infância
quando a mão bruta e pesada
humilha a sua inocência para
q mais tarde só restem poemas rancorosos.
terça-feira, 14 de abril de 2015
autorretrato
sábado, 11 de abril de 2015
Primeira matéria sobre "Arame Farpado" na Reversa Magazine
A Reversa Magazine (uma revista com
um espaço cultural na web voltado para noticiar o mundo gay feminino) publicou uma matéria linda sobre o meu primeiro livro de poemas "Arame Farpado" que será lançado ainda nesse semestre. Leiam a matéria aqui
A arte da capa foi elaborada pela minha musa Juliana Botão, a orelha escrita pela grande escritora Marcia Barbieri. A obra teve apoio editorial da NYX Poética (RJ) de Marcos Nascimento e do Coletivo Púcaro (SP, DF e RJ).
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Pós Mutilationem ou Gaia Infecunda
ou letra para um punk rock
| foto | Lisa Alves |
Dores cavalares.
Ouço a cavalgada
Ouço a cavalgada
de doenças incuráveis.
Genocidas!Genescidas!
Genocidas! Genescidas!
Genocidas! Genescidas!
Genocidas! Genescidas!
Cortam a carne, bebem o sangue,
bailam com minhas vísceras,
catalogam minhas genitais: hermes&afrodite.
bailam com minhas vísceras,
catalogam minhas genitais: hermes&afrodite.
Medem, pesam e biopsiam meu conteúdo:
orgânica,
atômica,
xxy e
injustificável.
injustificável.
Genocidas!Genescidas!
Genocidas! Genescidas!
Genocidas! Genescidas!
Tumorizada e seca como o Saara,
carrego espíritos meninos batedores:
Mãe, deixem-nos entrar!
Mãe, deixem-nos entrar!
E eu mando todos se danarem
porque o meu corpo não é lugar para
gente pequena que vive reiniciando ciclos.
Genocidas!Genescidas!
Genocidas! Genescidas!
Genocidas! Genescidas! segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
le chant de la sirène morts
"O canto da Sereia Morta" ganhou uma versão em francês. Presente do amigo poeta e tradutor Ramon Lv Diaz :
et je étais de celles-ci, celles, dans tous les sens
et qui recueillé heures juste pour le cristallisation
et pour éviter la vie
très délié, très unitaire, trés lumiére.
je venir l'autoroute,
je conçoive douceurs,
j'ai conçu des baisses
pour voir faire l'erreurs aux fantômes - éternité d'aller et venir
(autre troisième de newton).
j'ai embrassé hommes sans dents,
les hommes qui sucent la pierre
à cracher sur sa propre main pour se taire le satin.
j'ai embrassé l'femmes mortes,
femmes démembré, sans bras - sirènes de faubourg
(adroit de séduire la lune et mourir au soleil).
je étais un errant,
invraisemblances de chasse,
je suis l'expert dans déserts,
fabricant de mosaïque sans pièces.
je marchais parmi ceux tombés
et a appris à se déplacer rapidement au désespoir,
pour l'cordeau détonant.
aujourd'hui, je ne parle pas plus de treize mots par jour,
superstitieux, priez passionnée, le sort
qui tisse la corde elle-même pour emballer
le cou après une misérable vie.
et pour éviter la vie
très délié, très unitaire, trés lumiére.
je venir l'autoroute,
je conçoive douceurs,
j'ai conçu des baisses
pour voir faire l'erreurs aux fantômes - éternité d'aller et venir
(autre troisième de newton).
j'ai embrassé hommes sans dents,
les hommes qui sucent la pierre
à cracher sur sa propre main pour se taire le satin.
j'ai embrassé l'femmes mortes,
femmes démembré, sans bras - sirènes de faubourg
(adroit de séduire la lune et mourir au soleil).
je étais un errant,
invraisemblances de chasse,
je suis l'expert dans déserts,
fabricant de mosaïque sans pièces.
je marchais parmi ceux tombés
et a appris à se déplacer rapidement au désespoir,
pour l'cordeau détonant.
aujourd'hui, je ne parle pas plus de treize mots par jour,
superstitieux, priez passionnée, le sort
qui tisse la corde elle-même pour emballer
le cou après une misérable vie.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
O Canto da Sereia Morta
![]() |
| Foto| Kyle Thompson |
para Clara Nunes
E eu era dessas, daquelas, de todas as formas
e colhia tempos e tentava congelá-los para
evitar que a vida fosse
tão rápida, tão mínima, tão flash.
Peguei a estrada,
inventei ternuras,
armei estragos
e sinto as falhas tornarem-se assombrações – é sempre um bate e volta
(uma
terceira de Newton).
Beijei homens sem dentes,
homens que chupam a pedra
e depois cospem na mão para calar o
Diabo.
Beijei mulheres mortas,
mulheres sem pernas e sem braços –
sereias suburbanas
(capazes de seduzirem a Lua e morrerem ao
Sol).
Eu era a caminhante,
a caçadora de improbabilidades,
a especialista em vazios,
a montadora de quebra-cabeças sem peças.
Caminhei com os fracassados
e aprendi a passagem rápida para o desespero,
para o estopim.
Hoje não falo mais que treze palavras por dia,
sou das superstições, da reza brava, do tipo
q tece a própria corda para
embalar o pescoço
depois de uma vida ruim.sexta-feira, 31 de outubro de 2014
A Morte de Carlos Drummond de Andrade
“Depois
de tantos combates
o
anjo bom matou o anjo mau
e
jogou seu corpo no rio.”
Poema da Purificação – Carlos Drummond
de Andrade
Acordar e ver o quarto tão cinza que
mesmo ao abrir a janela nenhum efeito dos raios solares contribui para diminuir
o efeito do último incêndio. Pela terceira vez ela ameaçara incendiar os livros:
“Pobre tem que trabalhar!”
“Essas escrituras envenenam seus pensamentos.”
“Só os ricos podem se dar ao luxo de ler.”
“A louça está suja.”
“Nenhum homem vai querer casar com você.”
Eu tinha pena dela, também tinha ódio,
às vezes receio, às vezes respeito. Por fim não relutava, pedia licença para Drummond e saía às seis da manhã para procurar emprego. Trabalhei em linhas de
produção, contaminei meu organismo com baterias de celulares e foi ali que
constatei a poesia de Maiakovski: "Grita-se
ao poeta: "Queria te ver numa fábrica! O que? Versos? Pura
bobagem"." Sentia o quanto eram falsas as palavras de minha mãe,
pois nos livros existiam descrições perfeitas da vida lá fora, embora a vida lá
fora não tivesse tempo suficiente para compreender os livros. A vida lá fora
vendera seu tempo, minha mãe vendera sua vida e eu estava prestes a vender
minha alma. Meu emprego era um lugar onde pessoas entravam e saiam a cada
segundo, ninguém permanecia ali por muito tempo, o pagamento era bom, mas como
não havia plano de saúde noventa por cento do salário entrava nos bolsos dos
médicos. Um mês era o suficiente para um cidadão de bem suportar aquilo, eu
fiquei ali por quatro anos. Nos intervalos (quando aconteciam) escrevia para os
meus autores testemunhando a veracidade de seus escritos.
“Querido
Drummond, minha mão também está suja, não a escondo dentro dos meus bolsos,
pois não posso contaminá-los de radiação.”
“Caríssima,
Clarice! Escrevo-lhe com borrões vermelhos de sangue, minhas unhas não suportam
os movimentos repetitivos, as baratas possuem uma vida melhor.”
“Sr.
Gabriel Garcia, a solidão que acompanha essa gente durará centenas de milhares
de anos. Leve-me para Macondo!”
Quatro anos e nenhuma resposta. Na
caixinha do correio apenas propagandas dos mercados e contas a pagar. A vida
ficou mais difícil, eu estava completamente contaminada com as suas doutrinas.
Não havia mais tempo para os livros, chegava cansada, ligava a TV e mastigava
algum alimento fácil. Minha mãe já não era a mesma, até beijava meu rosto, arrumava
meu quarto e limpava a pequena biblioteca. Os livros já não eram mais
perigosos, tornaram-se enfeites na estante da sala. O vazio dentro de mim era
descarado, gritava no meu espelho, tremia as paredes, perturbava os meus
sonhos. Cheguei ao ponto de ter um verdadeiro nojo das palavras escritas,
depois das palavras ditas e por fim fiquei muda. O trabalho tornou-se
desinteressante, antes existiam intervalos, antes eu era a espiã de Clarice,
Drummond e Garcia Marquês, mas agora minha missão tinha terminado. Assim que
fui promovida pedi demissão, não queria mais fazer parte da história daqueles
autores, esse mundo era feio demais, inútil demais, não havia sentido viver na
descrição de uma vida tão penosa.
Voltei para casa e contei a boa nova
para a família, batizaram-me “a louca”, minha mãe trancou os livros caso eu
tivesse a intenção de voltar a lê-los. Ameaçou queimá-los (novamente
tornaram-se perigosos). Disse a ela que não se preocupasse, eu não os queria
mais, não tinha mais curiosidade de conhecer o mundo inventado por eles. Peguei
um fósforo e queimei Drummond. "Morra
triturado por uma pedra denotativa, morra no meio do caminho, morra com as mãos
sujas!" Drummond incendiou todo o resto. Clarice gritava em meus
ouvidos: “Apagai, pois, minha flama,
Deus, porque ela não me serve para viver os dias.”
Eu não tive pena, o mundo precisava de novos autores, o mundo necessitava de uma nova visão.
Eu não tive pena, o mundo precisava de novos autores, o mundo necessitava de uma nova visão.
Lá fora o mundo adormeceu no fogo, eu sabia
que tudo não passava de uma grande ficção.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Que o meu sonho nunca assombre você
Do outro lado
sou a mulher
"de quatro paredes"
ao som de Billie Holiday.
Apenas uma “branquela” aborrecida
q sonha ter a cor da terra para ser mais inquilina,
q sonha ser Angela Davis.
Deito-me no solo e afundo
nos dias frios.
[dias de
rabadas humanas.
A canção diz: “Little white
flowers
Will never awaken you.”
Quando permanecemos estrangeiros
predomina uma fome de
explorar
e não importa se oprimimos
o músculo do entregador de
compras
ou o estômago
podre de uma vespa morta.
A canção diz: “Soon there'll be
candles
And prayers that are
said I know”
Gosto da música dos abortados,
da música dos malditos,
da
música que canta o apego arruinado.
A canção diz: “Darling I hope
That my dream never
haunted you”
Enquanto escrevo, você cai
no sono.
O amor é a eterna espera do “Bom dia!”sábado, 4 de outubro de 2014
Três poemas lá na "Escritoras Suicidas" edição 48 | outubro de 2014
![]() |
| www.escritorassuicidas.com.br edição 48 | outubro de 2014 |
Saiu hoje a nova edição da Revista Escritoras Suicidas, fui convidada a fazer parte dessa leva com três poemas que abordassem os temas: uma andorinha só | amuleto | old times.
Quem quiser ler estou lá na seção de convidadas junto com Difunta Correia, Jeanne Araújo, Lâmia Drakoi Del Trópico e Tere Tavares. Além disso têm várias autoras fixas da revista com poemaços:
adelaide do julinho | adriana brunstein | adriane garcia | alice barreira | bernadete reutman | carla diacov | carla luma | carolina caetano | daniela delias | heloisa defarge | isadora galvão | larissa marques | lia beltrão | líria porto | mafalda mautner | mariza lourenço | nina rizzi | priscila merizzio | sabina mayfair | silvana guimarães | sonia viana | tati skor | valéria tarelho.
As fotografias que ilustram essa edição é da Priscila Merizzio.
Para leitura >
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Mural de Recados I
Dia 02 de setembro foi publicado no blog Poema Diário meu poema "Minha Mãe Costurava para Travestis". O Blog é editado por Daniel Russell Ribas e têm vários poetas desta e de outras gerações. Vale muito a pena visitar.
Desde o dia 05 tá rolando a III Mostra Londrix de Vídeo Poema e um dos meus videos está lá "Estéril Coletivo" com mais outros onze videopoemas de poetas desse Brasil. Também está rolando uma votação online para a escolha do melhor videopoema. Sinceramente já me contento com o fato do meu vídeo ser exibido durante o Festival Literário.
sábado, 23 de agosto de 2014
"Irish Car Bomb" & outros poemas na Revista Germina │ revista de literatura e arte
Na última edição da Revista Germina foram publicados doze poemas meus. A Germina é uma revista dedicada à
arte contemporânea e além de poemas o leitor se depara com contos, vídeos-arte,
crítica e uma série de variedades artísticas.
Link para os meus poemas, é só clicar ≥
E eu saboreio uma Irish Car Bomb
Eu bebia
uma Irish Car Bomb
enquanto
crianças eram pulverizadas por
bombas
israelenses.
O Mal
distante é legítima ficção
até o
dia que nos extraem
de nós
mesmos para sermos outros.
Meu
vizinho é um corpo de carne e ossos
e se ele
se incendeia eu penso em performance.
Adel Kedhri (Tunísia): performer
Jampa Yeshi (Índia): performer
Lâm Văn Tức (Vietnã do Sul): performer
Prema Devi (Índia): performer
Contam que
após o domínio do fogo
nossa
espécie transubstanciou o cérebro
para
algo hábil a criar bombas e rodas.
Adel Kedhri incendiou-se
Jampa Yeshi incendiou-se
Lâm Văn Tức incendiou-se
Prema Devi incendiou-se
São
Martinho articulava sobre o Homem ser fogo,
Buda propunha
que o coração é a lareira
e Heráclito
dizia: do fogo tudo flui.
Adel Kedhri é uma mensagem
Jampa Yeshi é uma mensagem
Lâm Văn Tức é uma mensagem
Prema Devi é uma mensagem
Sonho
com uma tempestade de fogo,
sonho
com olhos volvendo em cinzas,
sonho
com o cheiro amedrontador do Deus dos Mortos
colhendo
infanticídios no campo de girassóis da Ucrânia.
Adel
Kedhri é um noticiário
Jampa
Yeshi é um noticiário
Lâm
Văn Tức é um noticiário
Prema
Devi é um noticiário
E eu saboreio
uma Irish Car Bomb
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