quinta-feira, 14 de março de 2013

Além de 220 volts





O grande pátio onde de manhã tomamos sol nem sempre tem sol, o que demonstra a incúria do governo e a irresponsabilidade daqueles a quem pagamos para que nos dêem sol, já que não nos podem dar a liberdade.

Campos de Carvalho - A Lua vem da Àsia




Chovem pétalas sobre a face do morto, a natureza denuncia seus desígnios – reveste os restos, acaçapa as sobras. Do céu nenhum anjo, mas o abutre faz festejo e conduz a prole para o desjejum. Miro as nuvens, penetro a terra com as unhas em sangue e nada favorece a minha ressurreição. Eu sou? Eu estou? Desconhecia esse tipo de morte, nenhuma obra articulou a miscelânea secreta dos reinos, nem esse arquitetar hibrido, tão pouco a fusão – é como recuar ao ovo sem ser germe, é como ser milenar no jardim de infância. Eu existo em tudo e no nível anterior eu era um organismo preso por sistemas – intuo as línguas do mundo e sorvo as raízes da maior árvore do universo, cruzo fendas atemporais e revejo meus antepassados: banhas em mares. Agora sou o algoz de minha carne – aquele que se engole, o antropofágico, o escorpião circulado por chamas, o kamikase. Confesso: eu trazia um sabor de medo, carregava petiscos de trauma no estômago, eu era indigesto. Meus pés possuíam odor de preguiça e meus miolos ansiavam serem beijados assim como um clitóris em plena excitação. Eu era fácil, um alvo fácil para a domesticação. Mas esse-agora-existir não acata paredes, não teme os arames farpados, não se rende aos muros partidários e nem as economics fronteiras. Esse existir transporta mais do que 220 volts para o ninho e só mata o que alimenta. Confiem, só as gralhas são bem-aventuradas!


publicado recentemente na Revista Mallamargens 


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Soul Eco


"Eles dizem que sou demasiado para a esquerda

Pelo menos se eu não for alguém

Porque eu não posso mudar isso

E não é estranho se eu estou apenas sendo eu mesmo

Eles dizem que eu estou longe demais

Bem, eu digo que eles estão errados

Porque quem são eles para dizer quem eu deveria ser

E para onde estou indo "

Help Me - Macy Gray



"O inferno nem é tão longe
Bem depois de onde nada se esconde"

Inferno- Nação Zumbi




I

 












terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cumplicidade das Letras



Caros amigos, recebi nessa manhã a coletânea Cumplicidade das Letras a qual participei em homenagem ao poeta Affonso Romano de Sant'Anna com o poema  Quadro de Avisos (já publicado aqui no blog).

A coletânea conta com mais de cem poetas, dentre eles:  Rubens Jardim, Eduardo Tornaghi, Nydia Bonetti, Valdeck Almeida de Jesus e tantos outros que ainda não deu tempo para conferir e comentar. 

Fiquei encantada com a poesia "Um "b" balbúcio ao quotidiano de Maputo" de Dinis Mubai, poeta de Moçambique.

A coletânea foi organizada pelo escritor mineiro Bruno Resende Ramos e está a venda no site da Perse.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Legião








Soprou o tempo


na máscara imatura.


E os mapas da eternidade,


    como em um roce de magia,


vorazmente se mostraram.