Por sua própria natureza, cada espírito,
em sua prisão corpórea,
está condenado a sofrer e gozar em solidão. –
Trecho do livro As Portas da Percepção, de Aldous Huxley.
É preciso libertar a mente das ferramentas atrofiantes e do egoísmo humano.
É preciso abrir a porta certa e saber flutuar no reino do infinito.
É preciso sentir as cores e atravessar as fronteiras que barram nossa evolução.
É preciso navegar sem porto, voar inertemente e compreender a magia das estações.
É preciso ouvir os anciões e seguir conselhos de crianças.
É preciso dançar com os cordeiros e dormir com as serpentes.
É preciso beijar a face do planeta e só abandoná-lo pelo universo.
É preciso nascer em várias versões e optar pelo inverso.
É preciso galgar as montanhas e se atirar.
A serpente apareceu e conduziu-me ao seu jardim
O caminho era reto e prazeroso
Ao chegar eu já era outra além de mim
Sentia a volúpia das borboletas.
A água daquele lugar abraçava-me e cortava-me em três.
Agora eu podia voltar às montanhas e compreender a arte final do arquiteto.
Nada é preciso.

