Estagnado em frente a sua máquina de escrever as idéias não vinham de forma controlada. Passara por uma crise de criação durante algum tempo e quase tudo que saia no papel tinha uma passagem rápida para a lixeira. Não aceitava a arte que nascia das entranhas do medo e muito menos da paixão. Tinha um pavor de escritos ditos psicografados ou inspirados, já que sua rotina jornalística limitava-se a cópia do real. No passado, antes do oficio de mediador de fatos escrevera muita ficção cientifica, mas ainda assim cada palavra era planejada com a ambição de descrever um futuro realístico como fizera Júlio Verne e Huxley. As criações do presente pareciam surgir de sopros infundados da sua mente, como se tudo surgisse do nada e por isso não conseguia dar um fim ou uma continuação plausível. A máquina apenas produzia um lixo do subconsciente totalmente freudiano onde pênis enormes dominavam uma grande civilização de váginas reprimidas, pintadas e siliconadas. Os membros masculinos andavam, vestiam-se, compravam imóveis, faziam leis, ejaculavam publicamente, enquanto as vaginas eram aprisionadas em jaulas expostas em praça pública: não tinham bocas, ouvidos, olhos e muito menos cérebros para poderem perceber a insignificância de suas vidas.
A mente depravada era desconhecida pelo escritor de ficção cientifica que ambicionava produzir uma raça de peixes racionais com asas, cérebros e quocientes de inteligência elevadíssimos. Porém as imagens de sexos expostos nas avenidas atraiam os dedos e as centenas de papéis preenchidos em sua ferramenta de criação.
Sete horas da manhã e uma depravada história misto de Bukowski com fantasia de Garcia Marquês foi produzida durante a noite de insônia e manifestações desconhecidas. Tomou seu café matinal e saiu para o trabalho onde deveria entregar uma matéria cuja pauta abordaria a presença das mulheres em cargos de chefia no Brasil. Entrou na sala da editora chefe e foi questionado sobre a finalização da matéria. Como resposta e influenciado pela grande obra de sua vida surgida há poucas horas atrás. Ele baixou as calças, aproximou-se dela e exibiu toda sua plenitude artística em forma de um membro em ereção.
Imagem e texto: Lisa Alves
que medo dessa imaginação. Creio que muitos homens temem ou pelo menos sentem-se ameaçados. Outros como esse beiram a loucura!
ResponderExcluircomo gosto e costumo fazer, vou utilizar aqui as palavras já ditas por oswaldo montenegro: "este é protexto-estético-sexual-carnavalesco-de-esquerda"
ResponderExcluiradorei o texto.Gosto dessa anarquia da criaçao.Esta observaçao do outro lado das muitas portas da mente:o visto e pouco dito! As vezes escrever é feito um gesto livre ;uma tinta atirada a esmo na tela.O que vai sair nao sabemos,as vezes nem controlamos.textos fortes,da alma?ou borroes impulsivos? Dominar este animal das ideias-emoçoes-freudianos,gera um estilo ...Abraços saudoso.
ResponderExcluirli teu texto no Palanque Marginal e adorei! Este conto O Pavor Fálico é o medo também representado em formato de preconceito. Gostei de colher flores aqui.
ResponderExcluirSe escreveres assim no concurso poderás ganhar, estou aguardando sua inscrição...
ResponderExcluirForte abraço
Betho
Caraleo, o falo está presente até em nossas falas... bela criação.
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